A queda - Albert Camus
"Conheci em outros tempos, um industrial que uma mulher perfeita, admirada por todos e que, no entanto, ele traia. Esse homem ficava literalmente raivoso ao se descobrir culpado, na impossibilidade de receber, ou de passar a si próprio, uma certidão de virtude. Quanto mais a mulher se mostrava perfeita, mais ele se enraivecia. Finalmente, seu erro se tornou insuportável. Que pensa que fez então? Deixou de enganá-la? Não. Matou-a. Foi deste modo que travei conhecimento com ele".
Eu nunca tinha lido Camus, por preconceito, acredito. Ouvi muitas comparações com Kafka e diversas pessoas me falaram do desgosto de terem lido "O Estrangeiro", por isso, eu preferi nem tentar. Acabei me enganando.
Não é á toa que um autor ganha um Prêmio Nobel, e o francês Albert Camus não é diferente.
Em 112 páginas de leitura, encontramos um antigo advogado, agora juiz penitente, Jean-Baptiste Clamance, nos contando sobre suas qualidade, muitas ele apresenta, como bom narcisista, suas crises, e defeitos. Entre uma passagem e outra de sua vida, o narrador expressa a corrupção da sociedade, a vaidade que consome os homens, o desagrado, os prazeres e a liberdade. Tudo baseado no grito que ouvira de uma mulher a margem do Sena durante uma caminhada a noite.
Clamance faz um desabafo de seis partes, cada uma especial e focada em temas diferentes, primeiramente a advocacia e a sujeira que os humanos sempre tentam esconder, depois a sensualidade, a vaidade, o desagrado, a liberdade. O ouvinte, a qual muitas vezes, o antigo advogado comenta, não é exposto até o final da história, e certamente, ainda deixa na cabeça do leitor uma certa dúvida, quem seria afinal, esta paciente figura a ouvir um monologo tão desgastante.
Desde o começo, achei que Clamance se suicidaria e posso estar enganada, mas todo o relato que nos foi mostrado, é uma confissão perante seu Juízo Final e ele esta morto a muito tempo, desde a noite no Sena.
"A queda" é uma das obras menos comentadas de Albert Camus, contudo, é com toda a certeza, admiravel.


Nenhum comentário:
Postar um comentário