Hell Paris 75016 - Lolita Pille
Hell é um livro polêmico, que aborda a vida de uma jovem de 18/19 anos da alta sociedade de Paris. Surgem temas como sexo, drogas, amor, perda, preguiça e todos os pecados capitais.
Escrito pela parisiense Lolita Pille, Hell faz uma crítica a sociedade que a própria escritora vivia, criando na personagem, seu alter-ego. Não há muito o que contar em relação a história, é como se fosse um diário, o leitor segue Hell pelas ruas da cidade das Luzes, desde da Farborough -Saint Honoré, até os bares e boates, onde ela curte com os amigos (todas as noites). Entramos num mundo totalmente exclusivo, em que contas bancárias, bolsas Chanel e Porsches valem mais que qualquer outra coisa.
Antes de ler Hell, tinha ouvido falar que a leitura era cansativa e desgastante, contudo eu não achei tanto. A narradora é uma chata mesmo, isso que te cansa. Hell é uma patricinha milionária que tem tudo: bolsa, carro, status e má-fama. Ela passa a noite toda em boates com amigos que nem sequer gosta e aspirando gramas e mais gramas de cocaína. E nunca, nunca está contente.
Achei o livro interessante, apesar de não gostar dele. Definitivamente bem polêmico e com reflexões bem pensadas. Por mais louca que Hell seja, ela ainda consegue ser bastante humana.
"Desenganada antes do tempo, vomito sobre os sentimentos artificiais. O que a gente chama de amor é apenas o álibi consolador da união de um perverso com uma puta, é somente o véu rosado que cobre o rosto assustador da Solidão invencível. Vesti uma carapaça de cinismo, meu coração é castrado, sou a Dependência lamentável, a zombaria do Engodo universal; Eros com uma foice enfiada na sua alcova. Amor, isto é tudo que a gente encontrou para alienar a depressão pós cópula, para justificar a fornicação, para consolidar o orgasmo. Ele é a quintessência do Belo, do Bem, do Verdadeiro, que remodela a sua cara escrota, que sublima a sua existência mesquinha. Os escritores prediletos, o mal estar de viver, o porquê de sair todas as noites, a primeira noite, seguida de outras mis, não ter mais nada o que dizer, foder pra preencher os vazios, perder até a vontade de foder, se afastar, mas ficando mesmo assim junto, brigar, se reconciliar escondendo que, no fim, existe o tudo e o nada, ir foder com outras, e depois mais nada. Sofrer..."
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