6 de maio de 2012

José de Alencar para a Fuvest

Til - José de Alencar

É melhor que Iracema, isso eu posso te garantir. Til é um pouco mais realista, mesmo que tenha aquelas idealizações de perfeição da época e a história é um pouco mais interessante que a história "india dos lábios de mel". 
Til narra a vida de Bertha e alguns dos moradores da Fazenda das Palmas, Miguel, Luiz Galvão, Dona Ermelinda, Nhá Tudinha, Zana, Brás, Linda, Jão Fera e por aí vai. Dividido em duas partes, a primeira é basicamente uma apresentação dos personagens e da situação em que eles se encontram naquele momento. Somos apresentados a Bertha, a protagonista e heroína da narrativa, que possuí uma enorme força de carater, é bonita, simpática e cativa a todos que estão a sua volta. A menina mora com Nhá Tudinha, uma espécie de madrinha da garota, e com Miguel, filha de Nhá. A garota tem uma relação ótima com as pessoas a sua volta, fazendo uma conexão com todos os personagens, desde os ricos como Afonso e Linda (filhos do dono da fazenda) aos personagens marginalizados, como o doente Brás, Jão Fera (também conhecido como Bugre) e Zana (a negra que ficou louca depois de assistir a mãe de Bertha ser morta pelo próprio marido).
A primeira parte é bastante confusa, pois os capítulos vão pulando de situação para situação e muitas vezes, devido ao vocabulário, mas também a entrada de novos personagens fica complicado entender o que esta de fato se passando. A segunda parte, por sua vez, entra no livro para responder todos os pontos de interrogação deixados desde o começo, iniciando com a explicação de quem era a mãe de Bertha.

Não é um livro díficil ou chato como era Iracema, no entanto, não é facilimo. A história é interessante e conforme você vai lendo, acaba tendo interesse em saber mais sobre as personagens e suas origens. O livro é mais uma obra do regionalismo de Alencar, e se passa no inicio da expansão cafeeira, por volta de 1850, no interior paulista. O tempo todo, Alencar, conta sobre a geografia da região, citando rios, vales e plantas nativas do interior paulista.
Quando eu fiquei sabendo que haviam trocado Iracema por Til, fiquei um pouco receosa, afinal não era uma obra muito conhecida do autor. Depois de terminar a leitura, acabei aceitando bem essa mudança, Iracema, por mais que tivesse sua beleza, era bastante maçante para os vestibulandos e Til, com sua leitura um pouco mais fácil, tem uma história legal e vários pontos de reflexão, passando pelo contexto histórico do período até a relação de Bertha com as personagens e sua conclusão.
Eu não teria lido esse livro se não fosse pela Fuvest, mas agora que tive de ler, devo dizer que é bonzinho até (melhor que muitos outros).

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