Viagens na minha terra - Almeida Garrett
Viagens na minha terra tinha tudo para ser o livro mais chato da Lista de Leitura da Fuvest, e incrivelmente, acabou sendo uma leitura bastante interessante (detalhe: apenas eu gostei da classe).
O livro é português da metade do século XIX, o que marca as caracteristicas românticas da história, o vocabulário rebuscado e as eternas digressões do narrador.
Garrett se coloca na posição de uma personagem, ao mesmo tempo que narra suas viagens por Portugal até chegar em Santarem (onde a história finalmente começa), faz digressões sobre temas recorrentes da guerra civil, sobre a arquitetura dos lugares em que passava e a situação politica. Além de claro, contar sobre a história da menina dos rouxinois, Joaninha.
Ao chegar em Santarem, Garrett se depara com uma janela, e começa a se questionar sobre as pessoas que poderiam ter olhado atraves da janela e tudo mais, nesse contexto entre a história mesmo (antes são apenas várias digressões, citações, interetextualidades e reflexões do autor).
Joaninha era uma menina de 16 anos que morava com a avó, Irmã Francisca, uma velha cega e triste, em Santarem. Toda a sexta-feira, elas recebiam a visita do Frei Dinis, o frade franciscano da cidade. Carlos, neto de Francisca e primo de Joana, volta para Portugal (ele morava na Inglaterra antes) para lutar a favor do exercíto liberal na guerra civil, o que o leva de volta a Santarem.
Nesse interim, Carlos e Joaninha se apaixonam, ele é ferido na guerra, a esposa de inglesa de Carlos, Georgina, vai até Portugal para encontrá-lo, Carlos descobre que é filho do Frei Dinis. Parece uma história bem simples e rápida certo? Bom, mas o que poderia ser resumido em 60 páginas, Almeida Garrett faz em 260. No meio de todo o conflito, o narrador nos conta sobre o estado da cidade de Santarem, faz criticas ao governo, comenta sobre autores clássicos, o que apenas prolonga mais a obra.
O conjunto do livro não é de todo chato, cansativo talvez. A história sobre Carlos e Joana é interessante, bem como a analise da personalidade de cada uma das personagens e seu envolvimento na narrativa. As digressões acontecem a todo segundo, e as vezes chega a ser chato, coisas que ninguem esta com a minima vontade de saber, outras vezes é bacana o pensamento do autor.
Não é tão terrivel e vale a pena ler, se você não gostar, ao menos uma questão ou duas vai acertar na parte de literatura da Fuvest.

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