26 de julho de 2011

Muita confusão para uma mente jovem

O adolescente - Fiodor Dostoiévski
"Às vezes o jovem vê ordem nas coisas mais absurdas, ludibriando-se com um indício falso. Se percebesse como a própria familia pode ser cheia de absurdos e incoerências, seria muito bom para ele, pois poderia, a partir daí, perseguir a beleza e a harmonia de forma consciente, com discernimento... O leitor encontrará aqui o que se escondia no coração de um adolescente que viveu nessa época atribulada, um achado que não é de todo sem valia, já que os adolescentes são a argamassa de uma geração" Epílogo, pág 316.
Um turbilhão de emoções, esta é a característica principal de "O adolescente" do russo Fiodor Dostoiévski. 
Arkadi Makarovitch Dolgoruki chega em São Petesburgo para morar com sua mãe, Sofia, seu pai biológico, Andrei Versílov, e sua irmã, Lisa. Arkadi faz parte de uma familia acidental e muito confusa: Sofia era antes casada com um servo, Makar (de quem o jovem recebe o nome e sobrenome), até encontrar Versílov que se apaixona por ela e a toma de Makar, por intermédio de um acordo bastante conflitante. Convivendo com príncipes das altas rodas russas e tentando conhecer melhor o homem a quem é filho verdadeiro, Versílov, Arkadi acaba sendo levado por um jogo de sedução, traição, ódio, amor e muita dissimulação.


O adolescente que chega a S. Petesburgo com uma "ideia" e com valores nobres, percebe seu mundo rugir conforme se infiltra na vida alheia e se torna guardião de duas cartas que podem mudar o rumo de tudo, uma em relação a uma herança e a outra sobre a mulher que Arkadi se apaixona, assim como seu próprio pai, num amor cego e auto-destrutivo, Katerina.
A história é narrada em primeira pessoa, por meio dos relatos do jovem de 19 anos, Arkadi. Num misto de tramas, o leitor, assim como o próprio Arkadi, se sente perdido e sem noção do que realmente ocorre. O fato da história ser em primeira pessoa e um relato psicológico, afirma ainda mais a confusão do leitor e da própria personagem.
Em alguns momentos a narrativa fica confusa e os nomes russos, muito grandes e semelhantes, acabam por piorar ainda mais. 
Sempre tinha ouvido falar bem das obras de Dostoiévski e ao ler só pude confirmar as críticas. O adolescente é o relato perfeito do momento confuso e transitório que significa este período. Conforme entramos na história, a ingenuidade de Arkadi, a falta de bom senso, a impulsividade e a influência dos outros se mostra com bastante força, o que gera raiva no próprio narrador, que reconhece seus erros, assim como no leitor, que se irrita com a personagem. Arkadi pode ser a criança de 19 anos, que está apenas aprendendo a lidar com tudo a seu redor, mas as diversas personagens que encontramos também se mostram adolescentes, sempre prontas a esfaquear os outros pelas costas e agir sem pensar. Sendo assim, será que Arkadi era, de fato, o único adolescente na história? Para mim, todos eram adolescentes, exceto o marido de Sofia e "pai" de Arkadi, o velho servo Makar.
A Cia.Das Letras trás "O Adolescente" numa versão adaptada muito fiel a obra e ao estilo do autor, além de ser extremamente didático, com passagens explicativos sobre os personagens, nomes russos, periodo histórico, biografia do autor, ilustrações e muitas outras informações.

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