26 de julho de 2011

O épico e o lírico - Classicismo Camoniano

     


    Você já deve ter ouvido "O amor é um fogo que arde

    sem se ver", ou sobre Os Lusíadas? Bom, neste
    contexto temos o português Luis de Camões,
    percursionista do classicismo em Portugal.
    Camões à introduziu os sonetos – adaptação da
    literatura lírica á uma forma que permita um total
    desenvolvimento do raciocínio.
    Sonetos - Primeiras duas estrofes – desenvolvimento,
    ultimas estrofes – conclusão.

Poesia Épica – Os Lusíadas
 - Glórias de seu povo, sofrimentos amorosos, inconstâncias e incertezas da vida.
- Os Lusiadas – poesia épica – relembrar a glória de Portugal.
- O velho do Restelo à critica á ambição dos reis da época, enquanto os mouros estavam se aproximando. Utiliza figuras Greco-romanas como ninfas. Possuí dois narradores, o próprio Camões, expresso no velho do restelo e o herói, Vasco da Gama. - “Inês de Castro” - episódio lírico à relata a história do amor entre o príncipe e a plebéia Inês de Castro, que foi assassinada a mando do rei.
Poesia Lírica Camoniana
influência das cantigas de amigo à dores de amor; temas preferidos o desconcerto do mundo, as mudanças constantes e o sofrimento amoroso.
- Desconcerto do Mundo à o que é observado não corresponde á realidade, leva ao equivoco. Analiza o racional, buscando um parâmetro. Falta de lógica, análise fracassa, sofrimento do eu lírico.
- Mudanças Constantes à mundo dinâmico, onde o ser humano e a natureza estão sujeitos as constantes modificações. A natureza tem um padrão presivisivel e as pessoas tem uma ordem não linear à pode levar á tristeza e o sofrimento. Saudade das boas lembranças e o sofrimento provocado pelas más.
- Sofrimento amoroso à conflito entra o amor material (desejo da carne, profano) e o idealizado (puro, espiritual, platônico) à realização plena. Mulher – exemplo da perfeição absoluta – contemplação é o suficiente para a realização do eu lírico.


Episódio de Dona Inês de Castro

(Os Lusíadas, Canto III, 118 a 135)

Passada esta tão próspera vitória,
Tornado Afonso à Lusitana Terra,
A se lograr da paz com tanta glória
Quanta soube ganhar na dura guerra,
O caso triste e dino da memória,
Que do sepulcro os homens desenterra,
Aconteceu da mísera e mesquinha
Que despois de ser morta foi Rainha.

Tu, só tu, puro amor, com força crua,
Que os corações humanos tanto obriga,
Deste causa à molesta morte sua,
Como se fora pérfida inimiga.
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras banhar em sangue humano.

Busque Amor novas artes, novo engenho

Busque Amor novas artes, novo engenho
Pera matar-me, e novas esquivanças,
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, enquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê,

Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
                                               Vem não sei como e dói não sei porquê


Canto IV – Episódio O Velho do Restelo ( 90 a 104)  

                                                    "Mas um velho d'aspeito venerando,
 Que ficava nas praias, entre a gente,
Postos em nós os olhos, meneando
Três vezes a cabeça, descontente,
A voz pesada um pouco alevantando,
Que nós no mar ouvimos claramente,
C'um saber só de experiências feito,
Tais palavras tirou do experto peito: 
—"Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
C'uma aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!

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