27 de julho de 2011

O sol nasce, e o sol se põe, e corre de volta ao seu lugar, donde nasce

O sol também se levanta - Ernest Hemingway
"Não sei por que sentia essa necessidade de atormentar Cohn. Ou, ao contrário, sabia muito bem. Eu tinha um ciúme cego, imperdoável, do que lhe havia acontecido. O fato de que o tivesse tomado como um acidente natural nada significava. Como o odiava! Não julgo tê-lo detestado nunca, antes desse momento, ao almoço, quando ele mostrara um arzinho de superioridade, sim, e toda aquela história de ir a barbearia"
Como o próprio nome nos sugere, O sol também se levanta é um romance sobre decepções, desajustes,  paixões e uma geração perdida.
   Retratado em 1920-1930, a história é narrada por Jacob Barnes, um jornalista americano, ex-patriado, como seus amigos o chamam, que vive em Paris e possui um ferimento da I Guerra. O começo me lembrou muito O Grande Gatsby e a vida do F.Scott Fitzgerald, quando o narrador começa contando a história de Robert Cohn, um escritor formado em Princeton e grande amigo de Jacob, além de Hemingway ter escrito este romance logo após ter entrado em contato com o Magnum Opus de seu amigo, Fitzgerald. Apesar de em alguns momentos a obra me lembrar o Gatsby, de certa forma se mantém muito fiel ao estilo literário de Hemingway, que é o mesmo desde o primeiro parágrafo até o ponto final.

    Jake é o anti-herói americano, que vive exilado na sua Paris, junto de amigos muito diversificados, como a frívola e "insensível" Lady Brett Ashley, por quem ele e Cohn são apaixonados, Mike Campbell, um milionário falido, que é noivo de Brett e Bill Gordon, um também escritor e veterano de guerra (meu personagem preferido).
    Gordon vai até Paris visitar Jacob e ambos decidem ir pescar na Espanha, contando como acompanhantes Brett, Mike e Cohn, que, durante o trajeto, permanecem em Pamplona - ou devo dizer, até que Gordon e Jake partam para a pesca, não tinham nem saído de San Sebastian.
   Ao retornarem da semana de pesca, os amigos se encontram com o trio na cidade para se divertirem durante a Fiesta, festival  de touradas que acontece todo o ano. Como bom afixionado pelas touradas, Jacob nos dá um relato bem detalhado e até mesmo chato sobre o assunto.
   O que mais me chamou a atenção no livro, além do estilo enxuto e simples do autor, foi o título. Hemingway se baseou no versículo 5, do primeiro capítulo de Eclesiastes na Biblia "O sol nasce, e o sol se põe, e corre de volta ao seu lugar donde nasce". Ou seja, uma geração perdida após a grande guerra, que busca se encontrar no meio de bebedeiras, frivolidades e amores inacessiveis (seja Jacob e Brett, ou Robert e Brett).
      A história se torna mais lenta conforme a Fiesta vai se aproximando e parece sempre tomar o mesmo rumo, mas apenas pela narração e escrita de Hemingway, vale muito a pena continuar lendo.

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