Quando Nietzsche Chorou - Irvin. D.Yalom
O professor Josef Breuer tinha uma carreira bem sucedida como um dos melhores clínicos gerais de Viena no final do séc. XIX. Contudo, durante suas férias, ele é procurado pela misteriosa Lou Salomé que propõem ao doutor que trate um grande amigo seu, o professor Friedrich Nietzsche, filósofo revolucionista e temperamental, que sofre de desespero.
Num acordo de sigilo com Lou, Breuer decide se encontrar com o professor em Viena. Além do desespero, fator essencialmente psicológico, o médico deve também diagnosticar os sintomas físicos de Nietzsche, que são os mais variados, além de ter que contornar todas as arrogâncias e desconfianças do filósofo.
Outro personagem marcante na história é o amigo íntimo de Breuer, o jovem Sigmund Freud, que acompanha o tratamento de Nietzsche por meio de relatos de Josef.
Dentre uma mistura de teorias, conversas inteligentes, citações das obras de Nietzsche, em especial Humano, demasiado humano, e a Gaia Ciência, a história fictícia, já que Nietzsche e Breuer nunca se encontraram de fato, constrói um cenário perfeito para essas três figuras históricas tão peculiares.
Apesar de não ter ocorrido tal encontro, os diálogos e a narrativa são tão bem escritos, que tornam tudo muito realista. Embarcamos na mente dos pais da psicanálise, com ínicio das teorias de Freud, os metódos diversos de tratamento de Breuer e as convicções e divagações de um Nietzsche desesperado.
| Os três homens aos quais a obra se baseia: Da esquerda para direita, Nietzsche, Freud e Breuer. |
O retrato da época é muito bem feito, dando vida a Viena de 1882, no período da Belle Époque.
Um tipo de livro que serve de estudo sobre dois assuntos muito interessantes, a psicanálise (os sonhos, como foco) e a filosofia. Uma leitura fácil, mas que precisa de um pouco de atenção em relação aos diálogos, principalmente entre Breuer e Nietzsche, afinal em um momento, ambos estão satisfeitos e, no outro, estão em pé de guerra.
Talvez não seja um livro que você chegue ao final e ame, (a não ser que seja aluno de psicologia, mas é outra história). No entanto, é o tipo de livro que no final você sai ganhando. Afinal, ele transmite de uma forma tranquila uma introdução básica das obras de Nietzsche, sem ter que ler o "Crepúsculo dos Ídolos" ou "Assim falou Zaratustra", além de apresentar ao leitor, um Freud de 26 anos, ansioso por começar suas pesquisas.

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