29 de setembro de 2011

A Paris de Ernest Hemingway

Paris é uma festa - Ernest Hemingway
"Entregar-se inteiramente à arte, pagando um preço por isso, e passar a fome que fosse, contanto que em Paris, eram, sem dúvida , ideias, modelos e valores daqueles tempos. Em que mais acreditar senão na arte, que era o que explodia de mais humano  e exuberante nas telas dos pintores, nas formas das esculturas e nas ousadas páginas dos escritores da moda"
     Paris, 1930, refúgio dos mais diversos artistas do mundo, lar e local de inspiração para as mentes mais brilhantes do século XX. É esta Paris que o escritor Ernest Hemingway vem morar junto de sua esposa, Hadley. E é neste ambiente mágico, circundando pelos milhares de café e livros, que se passaram os melhores anos da vida do ganhador do Prêmio Nobel. A época em que eram pobres, contudo, absolutamente felizes.
     Os capítulos muitas vezes não estão em ordem cronológica e vão e voltam no tempo, exatamente como um fluxo de pensamento. Diferente de suas outras obras, onde o estilo do autor é expresso brilhantemente, Paris é uma festa tem uma linguagem mais informal e memorial, afinal é basicamente uma autobiografia.

    A maioria parte dos núcleos históricos que envolvem personagens marcantes, tanto para o próprio Hemingway, quanto para o leitor, que conforme a narrativa, passa a conhecê-los melhor. Temos figuras como o generoso poeta Ezra Pound, a escritora e artista Gertrude Stein, muito amiga de Ernest em seus primeiros anos em Paris, mas que possui uma personalidade um tanto quanto forte, Ford Maddox Ford, Sylvia Beach da livraria Shakespeare and Company, hoje, um ponto turístico da cidade, James Joyce, F. Scott Fitzgerald e claro, o próprio Hemingway.
     De certa forma, a personagem que teve mais ênfase na história foi Fitzgerald, talvez pelo fato de Ernest ter sido amigo dele por muito tempo e se interessar por sua vida, sentir admiração pelo autor de "O grande Gatsby", ou simplesmente a vida tumultada de Scott.
     Conhecemos um Fitzgerald abalado e com problemas com álcool, não em relação ao alcoolismo, mas, sim, a seu metabolismo fraco que se desgastava com o consumo deste. Muitas vezes, o próprio Hemingway, assim com o leitor, se perguntam como um homem como Scott poderia ter escrito uma série de contos ótimos e o Gatsby.
     O leitor é apresentado também à Hadley, esposa de Ernest, uma mulher graciosa e companheira, sempre disposta a acompanhar o marido - e olha que não são todas as mulheres que são feitas para serem esposas de um escritor, o caso da própria Zelda Fitzgerald, cujo ciúme pelo trabalho do marido a fazia ficar amarga e descontar arrogâncias nele.
    O que mais me interessou em Paris é uma festa, além da cidade cenário, a qual tenho paixão, é a humanização dos escritores. Hemingway mostra o defeito de cada um de seus amigos e suas sucetividades, nos relatando que não passam de apenas seres-humanos, ou seres-humanos "brilhantes", devo dizer. Um exemplo perfeito é Gertrude Stein, que por mais agradável que sua companhia e conversa fossem a Hemingway, ela era arrogante em certos pontos, egocêntrica e fuxiqueira. F. Scott Fitzgerald podia ser um escritor revolucionário, mas não passava de um homem com suas inseguranças e problemas no casamento.
     É este lado humanizado que me atrai. Saber que antes de serem artistas, essas pessoas era comuns e compartilhavam dos mesmos problemas que muitos de nós.
     Paris é uma festa, por mais que não seja a obra mais fantástica de Hemingway e voltada um pouco para a fofoca, ainda mantém o leitor envolto na sua narrativa e personagens.

     Obs: Recomendo que seja lido primeiro Paris é uma festa e, logo em seguida, O sol também se levanta, afim de poder fazer uma relação entre a vida do escritor, seus amigos e o livro. Para quem se interessar pelo livro, assista "Meia-noite em Paris" do Woody Allen, maravilhoso!

Nenhum comentário:

Postar um comentário