Ratos e Homens - John Steinbeck
"Mas isso num vai acontecê co'a gente! E por quê? Porque... porque eu tenho ocê pra cuidá de mim, e ocê tem eu pra cuidá d'ocê, e é por isso"
George Milton e Lennie Small são inseparáveis, mas muito diferentes. George é baixo, musculoso e esperto, Lennie, por outro lado, é alto, extremamente forte, e tem a cabeca de uma criança, alem de estar sempre criando confusoes.
140 páginas de uma linguagem fluída, tranquila e super informal, (sabe quando voce fala "memo", ao invez de mesmo? Assim). Tudo começa na frente de uma lagoa, Lennie e George estão fugindo de uma cidade, onde Lennie criou uma confusão com uma moça, e indo procurar trabalho em uma fazenda.
George vive para Lennie e Lennie, bom, Lennie é uma criança. Em certos momentos, Lennie se apresenta para George como um enorme fardo, que o impede de viver sua vida plenamente, contudo ele também não quer se desvencilhar do grandalhão.
Ao chegarem na nova fazenda para trabalhar, encontramos alguns personagens chaves para o desenrolar da narrativa e as questões sociais que Steinbeck apresenta: Candy, o ajudante que possui um carro velho; Slim, o peão mais dedicado da fazenda; Crooks, o negro que é impedido de socializar com as outras pessoas; Curley, o filho do dono e um eterno briguento e a esposa de Curley, de nome não revelado, mas que é chamada como "Vagabunda ou Chave de Cadeia".
A principio, Curley já não simpatiza com Lennie e vai fazer de tudo para arranjar briga com o grandão. A esposa vive passeando pela casa dos peões e olhando para eles, em especial para Lennie que acabou de chegar.
Eis a questão: Lennie não tem noção de sua força, e por isso acaba destruindo tudo que toca, desde o filhotinho de cachorro a até o pescoço de alguém, e será a partir de uma destas confusões que desencadeara uma das maiores escolhas da vida de George, manter ou não a amizade.
O título "Ratos e Homens", ou "Sobre Ratos e Homens" na tradução literal, busca fazer uma analogia sobre a tênue linha que separa um homem bravo e um covarde, uma pessoa inocente de uma culpada e o quão rápido a pessoa pode passar de uma coisa para outra. Quem já não ouviu o ditado "Você é um Homem ou é um Rato?" e o que exatamente seria ser um Rato, algo desprezível e doentio, ou um covarde?
É um livro rápido, e faz você pensar. Em várias partes da uma vontade louca de desistir, mas vale muito a pena pelo final, que é ambíguo. Eu já pensei em várias interpretações para ele, e ainda não encontrei a correta.
"Ratos e Homens" é um clássico da literatura estadunidense e sua autoria é de John Steinbeck, autor do aclamado "A Leste do Éden" e ganhador do Prêmio Nobel de 1962. O interessante da leitura é a sua fluidez e o cenário da recessão norte-americana de 29, além da posição marginalizada da sociedade, a qual as personagens principais se encontram.

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